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Quanto da doação chega a quem precisa
Além de CNPJ, estatuto social e certificado de utilidade pública, existe um indicador que poucos doadores conferem antes de escolher para quem contribuir: o percentual da arrecadação que se dissolve em estrutura administrativa antes de chegar à causa.
Neste artigo
- O que é o custo operacional e por que ele importa na hora de escolher para quem doar.
- Como o indicador aparece no balanço, e o que revela um percentual extremamente baixo.
- Qual é o custo operacional da ABAS, e onde consultar os documentos que comprovam esse número.
Verificar CNPJ, estatuto social e certificado de utilidade pública garante que uma instituição existe formalmente e presta contas. Uma pergunta permanece em aberto depois de todos esses documentos conferidos: quanto do dinheiro arrecadado chega, de fato, à causa anunciada, e quanto se dissolve em estrutura administrativa. Essa é uma conta que poucos doadores fazem, embora esteja disponível a qualquer um disposto a olhar o balanço com atenção.
O indicador central é o percentual de despesas administrativas sobre o total arrecadado, também chamado de custo operacional. Instituições sérias publicam esse número, muitas vezes já calculado, no próprio balanço ou em material institucional. Um percentual menor significa que uma fração maior do recurso chega à finalidade fim, seja o pagamento direto a beneficiários, seja o repasse a entidades executoras.
Organizações internacionais dedicadas à avaliação de entidades filantrópicas, como o Charity Navigator, nos Estados Unidos, costumam considerar aceitável um custo administrativo de até 15% do total arrecadado, com a faixa abaixo de 10% classificada como excelente. Esses parâmetros funcionam como referência geral, e ajudam o doador a situar o percentual de uma instituição específica dentro de um espectro já conhecido, em vez de julgá-lo isoladamente.
Na prática, esse percentual costuma aparecer na demonstração de resultado do exercício, na linha de despesas administrativas, dividida pelo total de receitas do período. No Brasil, a estruturação dessas demonstrações para entidades sem fins lucrativos segue a Interpretação Técnica Geral (ITG) 2002, do Conselho Federal de Contabilidade, em vigor desde 2012.
Balanços auditados por empresa externa reduzem a margem para uma classificação contábil favorável apenas na aparência.
Um percentual extremamente baixo, próximo de zero, também merece atenção. Em alguns casos, ele reflete um erro real de classificação contábil, quando despesas administrativas legítimas entram no balanço como despesas de programa, inflando artificialmente a fração repassada à causa. Balanços auditados por profissional independente reduzem esse risco, e instituições dispostas a detalhar sua metodologia de classificação, quando questionadas diretamente, costumam ser as mais confiáveis.
O cálculo, porém, exige contexto. Organizações menores, com poucos associados ou baixo volume de arrecadação, tendem a apresentar custo operacional proporcionalmente maior, já que despesas fixas como contabilidade, cartório e taxas bancárias se diluem pior num orçamento pequeno. Comparar o percentual apenas entre entidades de porte semelhante evita uma conclusão precipitada.
A ABAS, associação mantida por aposentados banespianos desde 1982, opera com custo operacional abaixo de 7% do valor arrecadado, número publicado na própria página inicial do site, abaixo até da faixa que organizações internacionais de avaliação filantrópica classificam como excelente. Esse resultado se sustenta, em grande parte, pelo fato de toda a gestão ser voluntária, sem remuneração de diretores ou conselheiros. O modelo de trabalho de uma instituição, gestão voluntária, estrutura enxuta, impacta diretamente o percentual que sobra para quem precisa.
Vale notar que instituições como a ABAS operam como intermediárias: recebem contribuições de associados e repassam a entidades filantrópicas que executam o trabalho direto com crianças, adolescentes e pessoas com deficiência. Nesse modelo, a conta de quanto chega a quem precisa ganha uma camada adicional. Cabe verificar, além do custo operacional da própria intermediária, se as entidades finais recebedoras também são cadastradas, fiscalizadas e comunicadas publicamente, como já ocorre na seção de Transparência do site da ABAS.
Cordialmente,Equipe ABAS
Foto de capa: Tribunal de Contas da União, em Brasília. Leopoldo Silva/Agência Senado, via Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0.
Consultar o custo operacional e entender o caminho que o recurso percorre até a ponta transforma a decisão de doar de um gesto de confiança cega em uma escolha informada. Quem quiser conferir esse indicador na prática pode consultar os números públicos da ABAS, atualizados e disponíveis a qualquer visitante do site.
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